Limites reais existem. Mas a maioria dos seus foi instalada — e o que foi instalado pode
ser desinstalado.
“Desafiando Limites” não nasceu como um nome de marca. Nasceu como uma decisão de vida — a
minha. Antes de ser o título do meu livro, da minha comunidade e do meu trabalho, foi a frase que
eu precisei dizer para mim mesma no dia em que percebi que a maior parte das paredes da minha
vida não era de concreto. Era de crença.
Existe uma diferença que muda tudo: limite real e limite instalado. Limite real é a gravidade, é o
tempo, é a finitude. Limite instalado é o “isso não é para você”, o “mulher da sua idade não
recomeça”, o “quem você pensa que é?”. O primeiro a gente respeita. O segundo, a gente desafia.
De onde vêm os limites instalados
Nenhuma mulher nasce achando que é pouco. Isso é ensinado — com palavras, com olhares, com
comparações, com o amor que só chegava quando ela se comportava. A psicanálise chama esse
material de introjetos: vozes externas que entraram tão cedo e tão fundo que hoje falam com o seu
próprio timbre. Você acha que é você pensando “eu não consigo”. Não é. É alguém que disse isso
primeiro, e você acreditou.
O problema do limite instalado é que ele não parece limite. Ele parece prudência, parece realismo,
parece “conhecer o seu lugar”. É a prisão mais eficiente do mundo: aquela em que a prisioneira
acredita ser a arquiteta.
Desafiar não é gritar — é examinar
Aqui está o que a minha filosofia não é: não é motivação vazia, não é “basta querer”, não é ignorar
a realidade. Desafiar limites é um trabalho de exame, quase jurídico — e talvez por isso a advogada
e a psicanalista em mim se encontrem tão bem nessa marca. Cada limite deve ser interrogado como
uma testemunha: Quem te colocou aqui? A serviço de quê? Que provas você tem?
Quando você interroga um limite instalado, ele raramente sustenta o depoimento. “Você é velha
demais para recomeçar” — velha segundo quem? “Você não vai conseguir sozinha” — baseado em
qual evidência, além do medo de quem falou? A maioria dos limites cai não porque você ficou mais
forte, mas porque você finalmente pediu as provas.
“Quem não desafia os limites é limitado. E limitada, você nunca
mais precisa ser.”
O corpo também testemunha
Não por acaso, a musculação faz parte da minha vida e da minha filosofia. O treino é o laboratório
onde eu vejo, em versão física, tudo o que ensino em versão psíquica: o peso que hoje parece
impossível é o aquecimento de daqui a seis meses. O corpo prova, semana após semana, que o
limite de ontem era só a fronteira do treino de ontem — não a fronteira de quem você é.
Cada repetição é um argumento contra a voz que diz “você não aguenta”. E quando o corpo
acumula provas suficientes, a mente começa a perder o processo.
Uma filosofia, não um slogan
Desafiar limites virou meu modo de existir: foi assim que reconstruí meu casamento quando todos
diziam que voltar atrás era fraqueza, foi assim que sustentei duas profissões que “não
combinavam”, foi assim que transformei minha história em método, livro e comunidade. Não
porque eu seja especial — mas porque eu parei de aceitar sentenças sem julgamento.
E é isso que eu desejo para você que me lê: não uma vida sem limites, porque essa não existe. Mas
uma vida em que cada limite tenha sido examinado por você — e só permaneçam os que
resistirem à sua pergunta
Essa filosofia está inteira no meu livro Desafiando Limites e viva todos os dias na Sociedade
Desafiando. Se uma frase deste artigo te incomodou, comece por ela: incômodo é limite
pedindo julgamento.
Quem não desafia os limites é limitado.